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Aracaju se torna bom alvo para quem quer melhorar a sua vida


Alguns motivos como moradia mais barata, um bom emprego ou estudo estão entre as razões trazem pessoas de diversos estados do Brasil para a cidade de Aracaju. Segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade de Aracaju, entre os anos de 2000 a 2010, foi uma das cidades de grande porte no país a receber pessoas de vários locais, assim como Joinville no estado de Santa Catarina. O número desse crescimento varia entre 15% a 30%.

Aracaju, a escolha.

Camila vê em Aracaju oportunidades
Camila Cordeiro Vieira (19), natural de Piranhas - AL veio para cá em 2010. Direito foi sua escolha principal, porém escolheu Aracaju também por achar a cidade bonita, com lugares interessantes para conhecer. “Antes de vir já tinha uma imagem bem positiva da cidade e hoje continuo pensando no lado bonito e aconchegante daqui.”
 A alagoana não é a única a decidir vir para a cidade estudar. Alan Bidu Silva (27) veio com o mesmo intuito. Graduando em Engenharia Elétrica e, nascido em Cícero Dantas – BA viu em Aracaju uma oportunidade de viver na tranquilidade que sempre sonhou. Acho uma cidade bem tranquila. Um mundo novo, uma incógnita. É uma capital interior.” 
Alan vive a tranquilidade da cidade sem problemas.
Entretanto, não só os jovens que possuem essa visão da cidade. Claudia Aparecida Rodrigues Petrasoli (46) veio para cá em 2004 em busca de liberdade. Natural de Santos – SP escolheu o estado para fugir do estresse por São Paulo, mesmo morando no litoral. Além disso, o custo de vida foi um fator primordial na escolha. “Escolhi Sergipe por ser o menor estado do Brasil. O estado é bom e o clima é perfeito. A cidade grande consome muito da gente e aqui, eu tenho liberdade que não tinha no estado de São Paulo.”

Conhecendo o lado ruim

Camila conta que certas coisas a assustaram quando passou a ter a oportunidade conhecer a cidade melhor e lamenta. “Não gosto dos terminais de ônibus da cidade. O terminal do D.I.A, o do Mercado e o do centro, a Rodoviária Velha. A situação ali é deplorável e a impunidade é gritante. Ali se vê claramente o descaso com a população. A estrutura é completamente defasada, a limpeza é precária e a segurança nem se fala. Deveria ser uma das primeiras coisas a serem melhoradas por aqui.”
Claudia vê em Sergipe a Liberdade.
Em nove anos aqui, Claudia percebeu que ao contrário do santista, o aracajuano se mantém fechado e não tão receptivo e conta da dificuldade de adaptação no início. “Minha filha sofreu um pouco de preconceito no colégio por ser de fora. O atendimento aqui é ruim. As pessoas são desconfiadas. Acho as pessoas um pouco introvertidas, não tão abertas como nós, santistas.” Alan compartilha de uma opinião similar e desabafa que o maior problema é a quantidade de pessoas que não compartilham da boa educação. “O que menos gosto é da "educação" da maioria dos aracajuanos, muitos olham estranho quando ouvem um bom dia, e outras coisas do tipo.”

A permanência e crescimento pessoal

As oportunidades de crescimento que tiverem nesses anos foram de extrema importância para decidirem não deixar o lugar. Para Claudia, tudo está perfeito por aqui e completa “A cidade grande exigiu muito de mim e aqui tenho uma liberdade que nunca tive enquanto estava em Santos.” Alan, que reside há 13 anos, não tem vontade de ir embora. Prefere ficar aqui e conta que o custo de vida, a paz e a proximidade de sua terra natal fazem com que não mude de ideia. “ Aqui fica bem perto da minha cidade natal, assim meus pais podem me visitar com frequência. Bom, aqui consigo viver tranquilo sem tantas fofocas como na minha cidade natal.”  
“Gosto muito da minha terra natal e sinto bastante falta de lá. Mas infelizmente lá não tenho tantas oportunidades de crescimento profissional como tenho aqui." conta Camila, que vê a cidade como um ponto em sua vida “Posso dizer que amadureci bastante desde o primeiro dia que cheguei aqui. Tive e tenho experiências muito boas e outras nem tanto. Não tiro o mérito da cidade, mas quando se mora fora de casa, é impossível não amadurecer e aprender a viver e conviver com situações que te fazem crescer.”

Texto: Luciana Nascimento

Edição: Erika Rodrigues 
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Tatuagem: discriminação estampada na pele


Em vários ambientes que vão do trabalho à igreja, as tatuagens, por mais bonitas que sejam, podem criar um clima de rejeição e estranheza. 


Homem Caveira                                      (Foto: reprodução)
Numa vasta diversidade de formas, cores e tamanhos, a tatuagem, com seus traços expressivos ou não, é artifício de utilização de pessoas independente de idade, credo ou classe social. Considerada para alguns como modismo e por outros um simples acessório, ela ainda é vista com maus olhos pela sociedade através de um passado marcado por preconceito e discriminação. Mesmo diante dessa conjuntura, o número de tatuados cresceu de maneira acelerada, na última década, porém mesmo na hora de encontrar um emprego e em situações do dia a dia as dificuldades persistem.

A administradora de recrutamento da empresa Seleta Consultoria - especializada na seleção e contratação de mão de obra para empresas -, Olívia Mendonça, explica que já teve casos de empresas não contratarem pessoas pela utilização de pinturas no corpo. Porém, não é a característica que eles avaliam logo na seleção “o que é mais posto em conta é a competência do candidato e não o que ele faz com o corpo dele”, afirma. Quanto maior for a empresa e o cargo almejado, as exigências são maiores, pois a tatuagem tem que ficar bem escondida e se for de tamanho grande e visível a contratação não acontece.

Caroline Leal  (Foto: arquivo pessoal)
Em termos legais, não há nenhum artigo na Constituição Federal Brasileira que disponha sobre a não contratação de uma pessoa pelo fato de ela possuir tatuagens. Por isso a advogada Caroline Leal explica que “se a pessoa se sentir discriminada, sofrendo abalo moral, pode procurar um advogado particular ou a defensoria pública para ajuizamento de ação visando à reparação do dano sofrido”, enfatiza. Ela acrescenta que qualquer tipo de discriminação não encontra amparo na legislação do país, estabelecendo o artigo 5º da constituição que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. 

Para o tatuador, Fredsson Argolo, que tem 70% do corpo tatuado, diz que já o fato de possuir várias tatuagens é uma maneira de propagar o seu trabalho. Ele diz que deixaria o seu filho fazer tatuagens, pois não vê nenhum problema. “Ele tem sete anos e quando eu pergunto se ele quer fazer tatuagens ele diz que não”, brinca.

Represália

Fredsson Argolo (Foto: Adson Santana)
De acordo com Fredsson, que é evangélico, as formas de represálias são muitas. Ele já sofreu muito preconceito e discriminação, principalmente por parte da igreja. “As pessoas quando me viam pareciam que estavam vendo um demônio”, desabafa. O tatuador complementa afirmando que nunca deixou de conseguir emprego por conta das tatuagens, inclusive já foi gerente de loja. “Mesmo com essa facilidade de emprego eu só conseguia por serem lojas de artigos visuais e de roupas para skatistas ou roqueiros. Já em outros tipos de lojas e empresas nunca consegui trabalho e já sofri discriminação e cara feia”.

O estudante Evandro Prazeres, 19 anos, que tem uma grande tatuagem na perna, diz que nunca a escondeu para ir a universidade, mas que já sofreu muitos preconceitos em seu bairro o no ônibus. “Tenho uma vizinha que fica me perguntando o motivo que eu marquei minha pele e que é uma coisa feia”, comenta. Para além dos olhares de desaprovação no ônibus, o estudante diz que no futuro emprego esconderia a tatuagem e que até em festas de empresas vai fazer questão de não aparecer.

Pinte com cuidado

O que antes era feito de forma arcaica com ossos de pontas finas, hoje a tatuagem é feita através de aparelhos elétricos com agulhas feitas de aço cirúrgico e/ou aço inoxidável que são descartados evitando assim doenças como AIDS, hepatite, tuberculose entre outras. As tintas que eram de árvores e pedras, deram lugar a pigmentos oriundos de minerais.

Por mais que a pessoa ache um desenho bonito e automaticamente queira fazer uma tatuagem, é muito importante saber onde fazer e qual o tatuador certo, pois  é bom sempre estar atento às condições de higiene do estúdio onde o trabalho é realizado, além de profissionais que dominem a arte. “É bom saber se o local tem autorização da vigilância sanitária e se o material usado está em boas condições”, fala Fredsson que complemente dizendo que sempre usa luvas e máscaras para evitar contaminações.

E o cuidado não para por aí. É importante seguir os cuidados posteriores da feitura da tatuagem, pois ela não passa de um “ferimento” na pele. No período de cicatrização é sempre bom evitar sol, praia, piscina, não ingerir alimentos como frutos do mar e evitar atritos no local tatuado.  

Adson Santana
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Programação especial marca o Dia Nacional do Choro em Aracaju

Grupo Braúna na abertura da temporada especial em
 comemoração ao Dia Nacional do Choro
23 de abril comemora-se o Dia Nacional do Choro. A data é uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha, uma das figuras mais importantes da Música Popular Brasileira, e em especial do Choro.  Criada em 4 de setembro de 2000, pela Lei 10.000, a iniciativa foi proposta  pelo bandolinista Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola de Choro Raphael Rabello.

A comemoração se estende durante todo o mês de abril, com eventos realizados em todos os estados brasileiros. Em Sergipe não tem sido diferente, o 'Chorinho' como também é chamado, já ganhou espaço, conquistando um publico fiel. Na capital sergipana, quatro pontos comerciais, como pizzaria, café e bares incluíram o Choro em suas programações.

O Grupo Braúna, especializado em músicas instrumentais, realiza uma temporada de apresentações na pizzaria Dona Benta. Segundo o bandolinista do grupo José Nascimento da Cruz Bomfim, o repertório inclui alguns dos choros mais conhecido e mais tocados, como Noites cariocas, de Jacob do Bandolim, Brasileirinho, de Waldir  Azevedo, Tico-tico no fubá, de Zequinha de Abreu, entre outras. As apresentações serão realizadas todas as sextas-feiras.

Sou realizado por fazer parte dessa história, mas falta divulgação. O Dia Nacional do Choro é comemorado em outros países, como a França e o Japão. Infelizmente, no Brasil, a maioria da população nem sabe que existe essa data comemorativa. Mas acreditamos na possibilidade de mudar essa realidade”, disse Cruz.

Para o violonista, Leandro Guerra, aluno do Conservatório de Música de Sergipe, “o Choro entra no terceiro século da sua existência um dos principais gêneros musicais do Brasil. São milhares de discos gravados que mantém viva a história desse gênero musical rico e complexo. O Choro é mais que fenômeno artístico, é um fato histórico e social”.

Histórico
O Choro é considerado a primeira música urbana típica do Brasil. Nasceu no Rio de Janeiro por volta de 1870. Nas décadas que se seguiram, desenvolveu-se como um virtuoso gênero instrumental. Hoje é muito executado tanto por grupos tradicionais, como as rodas de choro e regionais, quanto por músicos de outras origens.

O grupo de choro é geralmente formado por instrumentos melódicos como flauta, bandolim e cavaquinho. O violão tradicional e o violão de 7 cordas formam a base harmônica do conjunto. O pandeiro atua na marcação do ritmo base.

Vídeo
Assista a entrevista do Grupo Braúna concedida à Rádio Aperipê AM.


Repórter: Suzanmelila Matos
Editor: Roberto Aguiar
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Acessibilidade na UFS: mudanças ainda precisam ser feitas


Piso tátil indicando a entrada das salas
Os portadores de deficiência, que ingressam a cada processo seletivo na Universidade Federal de Sergipe (UFS), enfrentam uma série de problemas, principalmente arquitetônicos, pois, apesar de leis e decretos federais a estrutura física da Universidade não está totalmente adaptada com recursos acessíveis a eles.
Elevador para que deficientes físicos
tenham acesso ao piso superior
A cidade universitária José Aloísio de Campos vem tentando fazer adequações que beneficiem os alunos que possuem algum tipo de deficiência. Alguns recursos já foram implantados, por exemplo: Banheiros para deficientes físicos, elevadores para que os cadeirantes possam ter acesso ao piso superior das didáticas, além disso, foram colocados pisos táteis dentro das didáticas sinalizando a entrada de cada sala. Um grande passo já foi dado com esses benefícios, porém, ainda existem outras mudanças que ajudariam muito, como: sinalização em Braile nos principais pontos de acesso dos estudantes: a Biblioteca Central (BICEN), o Restaurante Universitário (Resun), a Reitoria, os prédios departamentais e as didáticas; piso tátil entre as didáticas onde há uma constante concentração de alunos; rampas em alguns locais que possuem desnível; passarelas que dêem acesso às lanchonetes; entre outros.
Segundo a Lei nº 10.098 de 2000, o conceito de acessibilidade encontra-se no Art. 2°, considerando: “ I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida.”
Em 2010, através da Resolução n° 80/2008/CONEPE, foram delimitadas cotas para os alunos com deficiência na UFS, contudo não basta matricular os alunos, é necessário uma mudança tanto na parte pedagógica, quanto na infraestrutura, para que a universidade se torne um ambiente acessível e garantir assim a permanência e o sucesso deles.
A inclusão de pessoas com deficiência na universidade vem acontecendo de forma progressiva. Por isso, com o objetivo de cumprir a lei que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade estão sendo realizadas algumas adaptações em sua infraestrutura.

DIFICULDADES

Exemplo de um trecho na UFS onde é impossibilitada a
passagem de um cadeirante 
Além da dificuldade de locomoção causada pela pouca condição de acessibilidade, existem também as obras literalmente pelo meio do caminho, que incomodam muito o transitar, principalmente dos cadeirantes, que precisam de muito esforço para chegar onde desejam. Na Biblioteca Central (Bicen), por exemplo, é quase impossível que um deficiente físico consiga chegar lá em sua cadeira de rodas. Antes do início das obras não se pensou em fazer rotas alternativas para que os estudantes em geral possam chegar até o local desejado, e se já é difícil para um aluno sem deficiência imagine para um aluno que necessita andar sobre duas rodas e não possui condição de desviar dos obstáculos.
Elisângela, durante a aula de handebol
A estudante de Espanhol, Elisângela, que se tornou deficiente física aos nove meses de idade por conta de uma paralisia infantil, relatou que as obras estão atrapalhando muito, e que do ano passado para cá as melhorias foram poucas, apenas algumas rampas foram feitas, os banheiros e esses elevadores, mas faltam benefícios para que de fato a vida dos deficientes físicos seja facilitada dentro da universidade.
O setor da UFS que trata das questões relativas à acessibilidade de estudantes com deficiência é o Departamento de Apoio Didático-Pedagógico (DEAPE), e de acordo com Professora Rosa Maria Bragança, diretora do DEAPE, os elevadores já foram testados pelo Conselho Estadual do Portador com Deficiência, mas ela não tem conhecimento sobre a utilização deles pelos alunos. Elisângela, informou que foi convidada para fazer um teste no elevador, mas não foi informada se já pode usá-lo normalmente.
“Foram implantados oito mil metros de piso tátil e a Universidade está fazendo as adequações necessárias baseadas na Lei de Acessibilidade”, ressaltou a diretora. Ainda segundo ela, “qualquer aluno que possuir algum tipo de deficiência pode solicitar o auxílio de um acompanhante para que possa ajudá-lo tanto na sala de aula, quanto na locomoção dentro da UFS”. Contudo, o estudante de música Diogo, que é deficiente visual, disse que durante esse período, que já está acabando, solicitou um acompanhante que não apareceu. Quem o acompanha todos os dias é a sua mãe, que vem com ele de uma cidade do interior até a UFS para que possa ter um Ensino Superior. Diogo também afirmou que possui apoio dos professores e colegas que colaboram sempre para que ele possa compreender bem o conteúdo.
Na UFS existe um Núcleo de Pesquisa em Inclusão Escolar da Pessoa com Deficiência (Nupieped), que faz parte do Departamento de Educação. A sede do Núcleo está localizada em uma sala no prédio da didática VI. Lá estudantes e pesquisadores realizam estudos e pesquisas com ênfase no acesso e permanência da pessoa com deficiência nos diversos graus e níveis de ensino. Através do Nupieped também são produzidos diversos artigos sobre a situação da Universidade e quanto aos alunos que possuem deficiência física, visual e auditiva. O desenvolvimento desses estudos é de fundamental importância para se obter análises que geram importantes resultados para a melhoria do ensino e aprendizagem dos alunos que possuem algum tipo de deficiência.

SUPERAÇÃO

Diogo, tocando seu piano eletrônico (foto: acervo pessoal)
Elisângela e Diogo, mesmo com suas deficiências, mostram que não existe limitação quando se tem força de vontade. Além disso, possuem habilidades que desenvolvem na UFS, que os fazem sentir-se mais motivados. Elisângela pratica handebol através de um projeto de extensão desenvolvido pelo Departamento de Educação Física e Diogo, que desde pequeno desenvolveu aptidão pela música, hoje através de disciplinas direcionadas para o piano, ele aperfeiçoa suas técnicas nesse instrumento, além de ter um excelente desenvolvimento nas demais disciplinas. Ambos se destacam por serem pessoas que ingressaram na UFS e por estarem conseguindo superar os obstáculos e manter a luta diária por uma educação de igualdade. 



Texto: Regiane Sá
Edição: Keizer Santos
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Vai de quê? Um panorama sobre a mobilidade urbana em Aracaju


A gasolina aumentou, a tarifa de ônibus subiu e os transportes alternativos se multiplicam: o deslocamento na cidade está longe de ser resolvido

O trânsito em Aracaju                                                                                                                 (Imagem: Reprodução)
A mobilidade urbana - a liberdade de deslocamento de pessoas e bens em espaços - ocupa cada vez mais posição de destaque na vida moderna. Mesmo com avanços significativos através do tempo, locomover-se não se tornou tarefa fácil. Repensar os meios de transporte levando em conta todos os seus fatores, características e funções específicas ainda está longe de ser uma ação concreta.

O desafio de guiar uma evolução contínua que não experimente o caos é uma possibilidade difícil nos dias atuais. No Brasil, somente no primeiro trimestre deste ano, a gasolina subiu cerca de 6,6%, fruto de uma política de aumento da Petrobrás.  O valor médio em postos subiu de R$2,77 para R$ 2,87, de acordo com levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em abril em cerca de 8,6 mil postos de todo o país. Sergipe foi o segundo estado do Brasil com maior aumento, com cerca de 6,44%.

A alta nas tarifas de táxi e ônibus segue a mesma tendência. Em Aracaju, a Câmara de Vereadores aprovou neste mês por 15 votos a 7, a nova tarifa de passagem de ônibus. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setransp), havia solicitado um reajuste de 11% para o transporte público, elevando o valor da passagem de R$ 2,25 para R$ 2,52. Após uma série de manifestações populares e um amplo embate midiático, o valor fixado pela prefeitura foi de R$2,45. Aracaju possui a segunda tarifa mais cara entre as capitais do Nordeste, atrás apenas de Salvador (R$2,80). O Sindicato de Taxistas, por sua vez, também pleiteia uma nova tarifa, com aumento de 10%. O último aumento aconteceu ano passado, definindo o valor de R$ 3,90. Esta proposta ainda está sendo analisada pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) e a Prefeitura de Aracaju.

O deslocamento virou problema cotidiano, e enquanto o complexo esquema da mobilidade não se repensa por completo, um número cada vez maior de alternativas, que nem sempre podem ser consideradas soluções definitivas, crescem. Nesse contexto diverso, uma constante: as pessoas estão indo de quê?

Bicicleta, o meio verde
Ciclistas em Aracaju                                                                                  (Imagem: Reprodução)
Símbolo do transporte sustentável, a bicicleta há muito deixou de ser apenas instrumento de esporte. Seguindo uma tendência mundial, ela vem sendo incorporada às funções cotidianas do cidadão, como ir ao trabalho ou pegar os filhos na escola. “O ciclismo é barato, não polui e não traz prejuízos para as esferas pública e privada. Até ajuda o Sistema Público de Saúde, por que a partir do momento em que você anda de bicicleta, já faz um exercício”, enxerga Elisângela Valença, assessora de comunicação da ONG Ciclo Urbano, uma das comunidades de ciclistas mais atuantes em Sergipe.

Elisângela ainda considera a bicicleta uma solução concreta e eficaz para o transporte no futuro. “As pessoas tem que deixar de serem escravas do carro e passarem a fazer um uso inteligente dele, pensar em alternativas”, defende. Além de enfrentar desafios como a má conservação das vias e a ausência de incentivo por parte do governo e outras instituições, o ciclismo como meio de transporte também encontra resistência nos próprios usuários.

É esse o caso de Osmar Souza, professor. "Gosto da bicicleta, mas não acho que seja uma das melhores opções para trabalhar, por exemplo. O calor torna difícil, você sua muito de um lugar para o outro. Também fica muito exposto ao sol e pode desenvolver doenças, como o câncer de pele. E ainda há o perigo do trânsito, que não respeita o ciclista”, diz.

Lotação, o meio termo
Lotações em Aracaju                                                                                                                              (Imagem: Reprodução) 
Entre as nem sempre acessíveis tarifas de táxi e o escasso conforto do transporte público, as lotações tornaram-se umas das opções mais democráticas em termos de locomoção. São táxis legalizados pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), que realizam roteiros definidos por um valor fixo e pré-determinado, na maioria das vezes abaixo da tarifa comum.

Em Aracaju, cada passageiro em uma lotação – que leva a quantidade máxima permitida pelo espaço do veículo – paga entre R$2,25 e R$3,00, quase o mesmo valor do passe no transporte público, que custa R$2,25. Entre as principais características ressaltadas pelo usuário, estão a segurança e a comodidade. “De ônibus, em pé e cansada, eu chego em casa um bagaço. Faltam ônibus confortáveis, são uma negação. De lotação eu chego mais rápido”, afirma Maria Heloísa, dona de casa. Motorista de lotação há dez anos, José Osmário completa. “Prestamos um serviço de maior qualidade e conforto, muitas vezes com carros até novos. Também possuímos cooperativa e somos organizados, tentamos melhorar sempre”, fala.

Encarada como uma boa opção por alguns, a lotação provoca discussão em relação a outros aspectos. Enquanto um ônibus comum leva de 50 a 60 passageiros por destino, uma única lotação leva 4, a depender do modelo do veículo. Se o número de usuários de lotação aumenta, cresce também a demanda de carros, fator que influi diretamente sobre o já saturado e complicado fluxo do trânsito na capital. Isso se desdobra ainda num terceiro aspecto, a poluição.


Mototáxi: a caminho da lei
Motos em Aracaju                                                                                                                           (Imagem: Reprodução)
Mais rápido que a bicicleta e mais prático que as lotações, o mototáxi une importantes elementos dos concorrentes anteriores: a rapidez das duas rodas, a prestação de serviço domiciliar e uma tarifa acessível à maioria. Em Aracaju, o valor do serviço fica entre R$4 e R$10 reais e atende horário e local flexíveis. “É uma opção para o cliente. Temos rapidez, agilidade, economia e muito mais”, diz Fábio Marques, mototaxista.

Apesar de se configurar como uma boa possibilidade para o consumidor, o mototáxi em Aracaju ainda não é legalizado. A legislação em vigor só permite, de fato, o motoboy, o que não impede a população de utilizar clandestinamente o meio para se locomover. É o que faz Thamires Oliveira, estudante. “Você chega rápido aos lugares, e paga menos que em um táxi, evitando também o desconforto dos ônibus. A questão da moto é a praticidade”, argumenta.
As novas determinações para condutores                                                                                                        (Ilustração)
Embora com um grande número de usuários como Thamires, o caminho da legalização do mototáxi permanece distante. O serviço de transporte privado de pessoas em motocicletas continua ilícito e passa por uma rigorosa fiscalização.  Em 2013, por exemplo, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) previu que condutores façam cursos obrigatórios de capacitação, com duração de 30 horas, e utilizem equipamentos de segurança, como colete com faixas reflexivas, antena corta-pipa e protetor de pernas. O motorista que infringe a lei pode ser multado em até R$ 127,69, pode ter o veículo apreendido e perder cinco pontos na carteira de habilitação.



Texto: Ruhan Victor Oliveira
Edição: Camila Ramos
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Começa a 3° edição do Projeto Caju na Rua

Caju confeccionado pela artista plástica Gabriela Etinger (Foto: Maria Beatriz Campos)

Fábio Sampaio (Foto: Fotografia UFS)
Está aberta a 3ª edição do Projeto Caju na Rua, que leva a arte contemporânea para pontos estratégicos de 
Aracaju. É uma oportunidade de apreciar a arte em meio ao caos de um grande centro urbano. “O projeto trabalha na linha do pertencimento, reconhecimento de algo muito familiar e intrínseco na cultura Sergipana, por esse motivo é que percebemos o entusiasmo e a felicidade tanto do cidadão aracajuano, quanto dos visitantes com o projeto”, conta Fábio Sampaio, idealizador do projeto.

O caju, por ser o símbolo da capital, foi escolhido para representar a exposição a céu aberto e para apresentar grandes nomes da arte contemporânea do Estado. “Inicialmente a ideia era realizar em Aracaju um evento de artes plásticas de grande porte, que pudesse ser visto por um número maior de pessoas. O projeto foi pensado em 2002, a partir do sucesso do cow parade- uma exposição de artes públicas que ficou famosa em diversos países, procurando adaptá-lo para a realidade aracajuana, utilizando o seu símbolo máximo, o caju. Em 2009, iniciou-se junto à Agência Voz a produção e capitação dos recursos necessários para o desenvolvimento projeto, e em 2011 ganhou as ruas da cidade”,               explica o artista plástico Fábio Sampaio.

Gabriela Etinger, artista plástica  (Foto: Vimeo)
As obras são confeccionadas em fibra de vidro e pintadas com esmalte à base d’água e finalizadas com verniz, para conseguir resistir à ação da chuva e do sol forte por até dois anos. A cada ano uma nova edição é aberta e as obras são trocadas por novos cajus, pintados por outros artistas plásticos sergipanos, já que o projeto foi pensado como uma grande intervenção urbana e uma grande oportunidade para que os artistas locais, novos ou consagrados, pudessem mostrar a sua arte em uma grande exposição ao ar livre.


Os Cajus estão em pontos estratégicos da capital e permitem uma maior aproximação entre a população e a arte contemporânea do estado de Sergipe, atraindo olhares de moradores e turistas. “É um projeto que exalta a sergipanidade, unindo as cores e o caju, que é o símbolo máximo da nossa capital. É interessante passar por ruas movimentadas, nos horários de pico, e se deparar com esse pedaço da cultura sergipana”, conta a analista de sistemas Emanuela Oliveira.
Caju no Mercado (Foto: Fotografia UFS)



A abertura do edital da 3ª edição do Projeto está prevista para o dia 3 de abril, segundo Fábio Sampaio. A Prefeitura Municipal de Aracaju, através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e da Fundação Municipal de Cultura e Turismo (Funcaju), é um dos grandes incentivadores do Projeto. Atualmente, ela patrocina 10, dos 11 cajus que estão espalhados pela cidade. Com base nos dois últimos editais publicados, todo artista pode enviar até dois trabalhos para a avaliação, mas só um poderá ser selecionado. O critério de avaliação é a junção da qualidade e criatividade na obra. O tema é livre, porém não serão aceitos trabalhos com temas religiosos, políticos, com alusão a times de futebol, de natureza sexual ou que apresentem qualquer logomarcas de empresas. As obras serão selecionadas por uma comissão especializada constituída por representantes do Projeto Caju na Rua, Prefeitura Municipal de Aracaju, Fórum Permanente de Artes Visuais de Sergipe e um jornalista.


Reportagem: Maria Beatriz Campos
Edição: Camila Ramos


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PROJETO FREGUESIA – COMO ELE ANDA FORA DO PAPEL?


Feira da Praça da Catedral
“No Freguesia, a Funcaju leva cultura às feiras livres da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), organizadas em parceria com a Fundação Municipal do Trabalho (Fundat). A iniciativa prioriza a geração de renda aos pequenos empreendedores e artesãos que comercializam nesses espaços. O turismo também é foco do projeto, criando mais esse destino para as compras, alimentação com comidas típicas e entretenimento aos visitantes.” (Fonte: Ascom Funcaju – 2002)

 Na teoria parece ser algo que realmente funciona que ajuda a comunidade sergipana e que tem incentivo dos órgãos públicos. Na verdade, o que se nota é uma realidade bem diferente e que preocupa feirantes e moradores. O Projeto Freguesia é composto por duas feiras tradicionais, que todos os moradores de Aracaju conhecem, mas quase ninguém tem conhecimento de que elas fazem parte de um plano muito maior. Uma delas é na Praça da Catedral, que ocorre de segunda a sábado e a outra na Praça Tobias Barreto, que acontece aos domingos durante a noite, mas que está desativada para reforma no momento.

O objetivo inicial do Freguesia, criado há mais de trinta anos, era o de promover a cultura sergipana, incentivar os artesões locais e atrair turistas.  O Projeto que era da Fundação do Trabalho- Fundat, com a atual gestão, passou a ser administrado pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos - Emsurb.

Como diz Dona Giselda Lóes, feirante na Praça da Catedral há quase trinta anos, “no começo do Projeto era tudo muito bom, tínhamos segurança, vendíamos bem, vinham muitas pessoas e os coordenadores estavam sempre conversando com a gente para saber se estava tudo certo.” Hoje o que se observa são feirantes frustrados, que vendem pouco, que não têm apoio.

Diferente da proposta do projeto, não há visitação turística nos locais, as praças estão com calçadas muito danificadas, além de não existir segurança adequada. “A iluminação é precária e não tem espaço para os ônibus dos turistas estacionarem, não temos divulgação alguma também”, lamenta Dona Giselda.

Isso é motivo de decepção para feirantes, que precisam de suporte para conseguir trabalhar, já que fazem parte de um projeto que, na teoria, é eficaz. Falta divulgação, incentivo e que se melhore a estrutura física dos locais o mais urgente possível. “Não temos divulgação e nem incentivo. O que me deixa muito triste”, desabafa Dona Giselda.

Divulgação / Segurança
Muitos moradores sequer sabem o que é o projeto Freguesia e alguns nem frequentam as ferinhas que fazem parte dele. "Não frequento muito a praça, não acho tão interessante e não é seguro ir lá quando escurece", diz Marcos Souza, morador do Centro.

Segundo o dono da empresa de Turismo ‘Paixão Tour’, Kiko Paixão, existe um interesse por parte da sua empresa e de várias outras, em fazer um roteiro turístico pelas praças da capital, pelas feirinhas e ampliar as opções de visitações. “O problema é que esses locais não oferecem a segurança necessária, não possuem estacionamento adequado para ônibus e vans de turismo e não recebem manutenção o que os torna pouco atrativos”. A feirante Gizelda também confirma essa situação, “aqui na Praça da Catedral não tem espaço para ônibus. No máximo conseguem entrar uma ou duas vans, mas é muito complicado”.

A falta de segurança nos pontos onde ocorrem as feiras é outro ponto de reclamação constante dos vendedores: “Temos que fechar tudo e ir embora às 18 horas, tenho medo do que pode acontecer se eu ficar até mais tarde,” diz Ivanete Araújo, que vende na Praça da Catedral há dezoito anos.

No dia 11 de março deste ano, o Prefeito João Alves, em evento para assinatura do documento que autoriza a reforma das praças da capital, falou sobre a questão da segurança. "Guardas Municipais serão treinados especialmente para fazer a segurança desses locais."

Obras
Perguntada sobre as obras que ocorrerão nas praças, a Dona Giselda se diz otimista e apreensiva ao mesmo tempo, “estou otimista com a futura reforma, mas se continuar sem divulgação e sem apoio para a gente, não vai adiantar nada. Os coordenadores precisam voltar a fazer reuniões e dar mais atenção a todos nós”.

A Praça Tobias Barreto, que também faz parte do Projeto Freguesia, já foi fechada para reforma, a expectativa é que com a Praça da Catedral aconteça o mesmo em breve. Segundo o Prefeito da Capital, as obras serão realizadas o mais depressa possível, como já ocorre na Praça Camerino.

Entramos em contato com a Fundat e esta nos informou que o projeto estava nas mãos da Emsurb nessa nova gestão. Ao tentar contato com a assessoria da empresa, não obtivemos resposta. Tentamos falar com a Secretaria de Turismo e a pessoa que nos atendeu disse que ninguém poderia falar sobre o assunto. Estamos abertos a qualquer esclarecimento posterior. 



Texto e imagens: Camila Ramos 
Edição: Gabriela de la Vega
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A magia do ontem: brinquedos que ultrapassam gerações

Crianças encontram uma variedade de brinquedos no Mercado Municipal de Aracaju    (Foto: Maria Beatriz Campos)

               
Carrinho feito de madeira (Foto: Maria Beatriz Campos)
 Os brinquedos artesanais são baratos, simples e facilmente encontrados em feiras e mercados populares. No Mercado Municipal de Aracaju, a venda destes brinquedos é uma tradição. José Freire de Oliveira, mais conhecido como Zé Careca, é um dos vendedores de brinquedos artesanais mais antigos do Mercado, e também um dos mais populares e conhecidos, os brinquedos chegaram em seu box há 62 anos e são responsáveis por grande parte dos lucros do comerciante. “Eu vendo bem, até porque eu não vendo caro, vendo por um preço normal, então eu vendo muito. O pião, por exemplo, custa 5 reais; o Mané Gostoso varia de 2 a 3 reais e os carrinhos variam o preço, mas não deixam de ter preços populares.”, explicou o comerciante.

Box de Zé Careca   (Foto: Maria Beatriz Campos)

No box de Zé, há brinquedos de todos os tipos, uns mais conhecidos e outros mais diferentes, mas que as crianças aprendem com facilidade a manusear. “Eu vendo de caminhõezinhos a Mané Gostoso, são muitos brinquedos. Quando as crianças chegam, a gente ensina como é que brinca com eles, ou às vezes eles já pegam e passam logo a perna no cavalinho, arrastam o caminhão, elas realmente gostam desse tipo de brinquedo. E eu aproveito para lembrar da minha infância.”, enfatizou o comerciante.

Box de Gilmara Santana  (Foto: Maria Beatriz Campos)
Gilmara Santana vende brinquedos infantis em seu box há 15 anos e se sente orgulhosa em poder levar as crianças a conhecer brinquedos que fizeram parte da história e infância de tantas gerações. “A ideia, quando eu comecei a trabalhar com esses brinquedos, foi dar continuidade, não deixar apagar esse costume. As crianças precisam conhecer os tipos de brinquedos que os pais, as mães e avós brincaram, mas elas não têm acesso hoje em dia. E se vierem ao Mercado, elas podem passar a ter esse conhecimento. Elas chegam aqui elas se encantam, o que não conhecem, sempre dão um jeito de aprender.”, conta a comerciante.

Quanto ao brinquedo preferido das crianças, os vendedores têm opiniões parecidas: não existe brinquedo preferido, todos fazem sucesso com a garotada. “Olha, não tem preferido. É incrível, tudo o que elas veem, elas se encantam. É diferente, não é da época delas, mas não importa a geração, esses brinquedos sempre conquistam as crianças. Mesmo quando não sabem brincar, elas perguntam e a gente ensina. Elas são muito espertas.”

Ubiratan Silva, de 9 anos, veio de São Paulo para passar o final de semana em Aracaju, ao se deparar com os brinquedos artesanais, que ele nunca havia tido contato, ficou encantado.“É bem diferente dos meus brinquedos, mas eu gostei deles. Só não sei dizer se gosto mais deles ou dos meus.”, explica o turista paulista.
Turista da Bahia, Sofia Castro, de 5 anos, também se rendeu aos brinquedos antigos, e ficou fascinada com a variedade e quantidade de brinquedos que encontrou. Isabella Castro, mãe de Sophia, faz questão de incentivar e tentar inseri-los na rotina da criança. “Eu tento sempre colocar esses brinquedos na rotina de Sofia, são muitos brinquedos modernos, mas mesmo assim eu tento. Os brinquedos mais simples estimulam a criatividade dela e eu acho isso muito importante. Ela é bem receptiva, gosta de muitos brinquedos artesanais, mas algumas vezes os brinquedos modernos conseguem deixar ela mais empolgada, do que os mais simples.”, contou a mãe de Sofia.

Tiago e Rebeca    (Foto: Maria Beatriz Campos)
Tiago Lídio, pai de Rebeca, de 1 ano, faz questão de apresentar à filha os primeiros brinquedos, e a maioria deles é artesanal. A simplicidade e a interação que eles proporcionam foram os diferenciais para começar a incentivar a filha a se divertir com estes brinquedos. “Eles criam uma ligação mais forte, um contato físico maior com a criança. Hoje, tudo é eletrônico, e infelizmente, as crianças estão se afastando mais dos brinquedos tradicionais. Além disso, comprando estes brinquedos mais antigos, eu consigo passar para ela como foi a minha infância, como eu me divertia com eles.”, falou o pai da pequena Rebeca.

Segundo a pedagoga Edileusa Santana, os brinquedos antigos contribuem para o desenvolvimento motor da criança, já que eles exigem mais movimentos para funcionar do que os eletrônicos. “Os brinquedos antigos contribuem para o desenvolvimento motor da criança, já que eles necessitam do movimento dela durante a brincadeira. Os eletrônicos são interessantes, e muitas vezes são a preferência das crianças, por conta do colorido e pelo fato delas poderem estar no comando, que as deixam fascinadas, elas se encantam ao perceber que só de apertar um botão o brinquedo já realiza os movimentos. Um brinquedo que é excelente para ajudar no desenvolvimento psicomotor das crianças é o pião, já que ele exige movimento e cria nelas a noção de espaço.”, indica a pedagoga.

O tradicional pião (Foto: Maria Beatriz Campos)
O pião, que foi inventado no início do século dezoito, já passou por inúmeras gerações e mesmo na era da tecnologia ainda é comum ser comprado e participar do cotidiano de tantas crianças. Quando questionada se esses brinquedos serão substituídos por brinquedos eletrônicos, a vendedora Gilmara Santana foi enfática: “Esses brinquedos sempre terão espaço. Eles ainda vão passar por muitas gerações, porque as crianças podem até não conhecer estes brinquedos, mas os pais conhecem e querem apresentar a elas, até porque quem não brincou, não teve infância.”


Reportagem: Maria Beatriz Campos
Edição: Ruhan Victor Oliveira




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Um teto pra morar

Do sonho à realidade.

Por Caio Rodrigues

Seja para sair do aluguel, da casa dos pais, ou mesmo das ruas, ter a própria casa é o sonho de muita gente. Porém, as famílias carentes são as que mais sofrem, pois as condições de adquirir a própria moradia são ainda mais difíceis. Visando solucionar esse problema, o governo Federal, em parceria com os governos estadual e municipal, vem realizando programas que dão oportunidade de se ter o próprio lar. São programas que vem viabilizando a obtenção da casa própria por famílias de baixa renda. Mas, normalmente, quando os investimentos acabam com a entrega das casas, surgem novos problemas. A pobreza, violência e o precário acesso aos serviços públicos.
As cidades das regiões metropolitanas são hoje as que mais possuem conjuntos habitacionais. Alguns cresceram em razão da proximidade com a capital. Em Sergipe vale citar alguns conjuntos que obtiveram grande desenvolvimento. Em Nossa Senhora do Socorro: Complexo da Taiçoca; em São Cristóvão: Grande Rosa Elze. A população dessas cidades cresceu a passos largos. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a população da Região Metropolitana de Aracaju saltou de 338.882, em 1980, para aproximadamente 836.000 habitantes em 2010. O que representa um crescimento superior a 100% em 30 anos.
Laranjeiras uma das mais tradicionais cidades da Região Metropolitana, com potencial turístico, vem seguindo pelo mesmo caminho. No município, a 20km da capital, estão sendo construídas cerca de 210 casas através do “Programa Casa Nova. Vida Nova”, uma parceria entre o governo do estado e a Caixa Econômica Federal. Ao todo serão investidos R$ 1,7milhões na construção do conjunto José Monteiro Sobral.

Dona Josefa da Conceição espera pela entrega das casas.
(Foto: Caio Rodrigues)
O “Casa Nova. Vida Nova” é um programa do governo de Sergipe que tem como objetivo diminuir os problemas relacionados à habitação. Segundo dados do governo, mais de R$ 62 milhões serão empregados nas obras de construção de 22 mil casas populares em todo o estado. Em Laranjeiras, milhares de inscritos aguardam ansiosamente pela casa própria. Dona Josefa da Conceição é um exemplo. Ela vive na periferia de cidade e se inscreveu no programa “Casa Nova. Vida Nova” há pelo menos três anos. Enquanto isso a aposentada de 62 anos mora de aluguel com sua família há seis meses num conjunto vizinho. Ansiosa, ela afirma que já pensou inúmeras vezes em invadir uma das casas.

Obras atrasadas
Vale ressaltar que desde a assinatura para a construção do conjunto habitacional José Monteiro Sobral, em julho de 2010, a previsão para a conclusão da obra era de até seis meses, todavia, continua inacabada.
Ricardo Galvão, da Secretaria de Obras e Infraestrutura de Laranjeiras, explica que o motivo do atraso das obras foram as fortes chuvas e alguns empecilhos no terreno, como rochas no solo, e o trabalho para planificar a área dificultaram o andamento das obras. Ele afirma que serviços de infraestrutura do bairro são incluídos nos programas de habitação, porém, muitas vezes as casas ganham prioridade e são entregues primeiro, mesmo sem o mínimo de estrutura. Contudo, as famílias aguardam esperançosas pela entrega das casas.
Galvão explica ainda que como são áreas de expansão, estão localizadas nos arredores das cidades, nas periferias. O problema é que são regiões muitas vezes esquecidas, segundo ele. Somando os problemas de infraestrutura ao precário acesso aos serviços públicos. A pobreza junto à falta de segurança gerando a violência que se propaga de forma alarmante. Alguns conjuntos periféricos, como dito no início da matéria, apresentaram grande desenvolvimento ao longo dos anos. Porém, a violência ainda é muito marcante nesses bairros. 

 A realidade
Conjunto Salinas há anos sem nenhuma estrutura
(Foto: Caio Rodrigues)
Quando dito do sonho à realidade, a realidade, neste caso, ganha outro sentido. A dona de casa Cristilene dos Santos mora há apenas três meses numa das casas entregues pela prefeitura, porém num conjunto vizinho. Mesmo morando há pouco tempo na comunidade, ela já sente a falta de estrutura do local. Como ela mesma reclama, na casa em que vive, a fossa está sempre entupida, pois é muito pequena. A água que escorre das encostas inunda o quintal. Falta pavimentação. Saneamento básico ainda não existe. Serviços de saúde, educação e transporte são precários. O tráfico e uso de drogas junto à violência dominam a região. Quando precisa fazer uma consulta médica, acorda as 5h00 da manhã e anda até o bairro vizinho, onde está localizado o posto de saúde mais próximo. Faz o mesmo trajeto quando necessita pegar um ônibus para a capital. Transitar nas ruas da localidade se torna uma tarefa difícil em dias de chuva.

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